quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A História da individualidade (genética) humana....

Muito bem pessoal,

Vocês pediram então resolvi abrir o tópico para continuarmos a discussão iniciada em aula sobre a individualidade. 

Acho que discutimos pontos interessantes. Conseguimos partir do texto e superá-lo pensando não só na questão científica, mas indo além. Para a questão cultural, étnica, social e filosófica. 

Algumas questões foram levantadas e discutidas, outras levantadas e não discutidas. Mas ainda acho que podemos ampliar as possibilidades. Como eu disse, a idéia de discutir esse texto é desconstruir a noção muitas vezes equivocada, de que geneticamente, podemos claramente nos separar em grupos. E o que isso traz como consequência. 

Pensando dessa maneira, existe algo que nos une biologicamente? Se existe algo, isso é estático ou muda com o passar do tempo? 

Deixo mais algumas portas em aberto para que possamos pensar. O que eu já tinha deixado de questionamento, permanece. Se somos individuais até mesmo geneticamente, e se a nossa individualidade muda com o passar do tempo, será que a nossa individualidade genética também muda a medida em que vivemos?

Outra questão seria pensar, partindo dessa noção de individualidade de raça, algo mais político e social, por exemplo as cotas universitárias. Será que faz sentido pensar em cotas universitárias levando em conta essa discussão de individualidade genética?


Outra questão interessante seria pensar. A medicina de forma geral, que pensa em doenças para o grupo dos seres humanos, tem sentido levando-se em conta essa idéia de individualidade?


Para quem quiser ir muito mais além, aqui tem um texto que traz a questão da individualidade para o campo social. É um artigo sobre estilos de vida e individualidade com base na sociologia e antropologia.


Bom, o espaço está aberto! =)

Até.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"Eu voltei..... voltei para ficar...."

Pois é....

A volta é inevitável. A vida sempre retorna, O ar entre de volta nos pulmões. O coração volta a bater. O sangue a correr. Os neurônios à energizarem-se..... Enfim. A vida é feita de retornos, eterno retorno como já dizia um grande filósofo (sabem quem é?). E assim é que se inicia mais um semestre. Para alguns é um retorno, para outros um novo caminho. Mas até mesmo para um novo caminho retornamos com a disposição de caminhar.

Para mim é um retorno sempre novo. Acredito que para vocês também.Ássim, desejo um bom retorno, para os velhos novos e para os novos novos. Que tenhamos um semestre bem bonito, divertido e produtivo. Alguns já conhecem o funcionamento do blog, mas não custa relembrar.

O blog é fundamental no desenvolvimento da unidade curricular. Todo material que usamos em aula será disponibilizado aqui e este também será um espaço de diálogo e troca de materiais, conhecimento, dúvidas, angústias, etc, etc.

Masss, como funciona?
O material na maioria das vezes (o "na maioria das vezes" é por conta da leve desorganização do professor) será colocado no blog antes de ser usado nas aulas e ficará disponível nestes links, de acordo com a fase (agora teremos também a quarta fase... As primeiras aulas e os planos de ensino já estão disponíveis, além dos primeiros materiais.

No marcador "MATERIAL RECENTE", vocês podem ver se tem algo novo por aqui:


Existe outra página associada ao bioilógicas,o "bioutrasilógicas". Ele é outro blog onde são divulgados materiais produzidos por vocês. Textos, imagens, poesias, etc. Como vocês podem ver, lá tem vários materiais produzidos que ficam à disposição para degustação! Então, vamos exercitar a autoria? Cada um tem, certamente alguma coisa para socializar e contribuir para nosso acervo virtual:

Qualquer outra dúvida ou necessidade que não esteja dita aqui, ou se quiserem conversar, perguntar, reclamar, etc, tem o email à disposição:
 

Fora isso, boa viagem à todos e em caso de despressurização da cabine, estejam à vontade para voar!
 
Até.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Para distrair...

A imagem que o Jean da 311 me enviou por email. "Era uma vez uma planária...", ou talvez "Era uma vez algumas planárias...", não não, melhor "Era uma vez um zintupilhão de planárias...."

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Discussão na 213!!

Bom, escrevo este tópico com base na aula que tivemos na 213 hoje. Acredito que deixei vocês um pouco angustiados e enraivecidos (bufando e sofrendo) com uma série de questionamentos e dúvidas. Como eu disse, gosto muito disso, de problematizar. O quanto responder disso tudo, aí depende. Acredito que algumas respostas sejam importantes, outras são mais interessantes que fiquem sem resposta e que permitam a reflexão. Bom, especificamente em relação ao que deixei para vocês coloco aqui alguns pontos que podem talvez responder um pouco (pois eu disse que esta questão ainda não é completamente compreendida). Espero que tenham fôlego pra ler tudo e possam comentar e discutir se pensarem diferente!

A pergunta era, no momento da fecundação, como é definido qual o SPTZ que vai entrar no ovócito e fecundá-lo? Como vocês já sabem a cada ejaculação são liberados milhões de SPTZ, sendo que somente algumas centenas chegam ao ovócito e destes apenas um consegue entrar. Mas aí vem a pergunta? O que define qual vai conseguir entrar?

Como eu falei, esta pergunta ainda não tem uma resposta precisa, mas existem alguns indícios que nos levam a entender um pouco mais este processo.

Primeiro: eu já tinha deixado uma dica de que exiswtem proteínas específicas relacionadas a este processo. Pois bem, alguns estudos mostram que os SPTZ apresentam canais (poros) de íons chamados CatSper. Estes canais reconheceriam a presença da progesterona liberada por células que estão ao redor do ovócito (as células foliculares da corona radiata) e provocariam a entrada de Cálcio no SPTZ. Este cálcio faria os flagelos se movimentarem mais rápido fazendo com que os SPTZ chegassem mais rapidamente ao ovócito e pudessem "perfurá-lo" mais rápido. Este perfurar na verdade é a liberação do acrossomo, rompimento da zona pelúcida e entrada do núcleo do SPTZ. Isso também ocorre pelo cálcio. É ele que determina o rompimento do acrossomo, liberação de enzimas e entrada do núcleo do SPTZ no ovócito. Este é um ponto;
Segundo: mesmo assim, como é que o SPTZ se torna o primeiro a chegar e perfurar a zona pelúcida? Bom, outro ponto a ser levado em conta é que o ovócito é circundado por algumas células (células foliculares) que formam a corona radiata. Além da zona pelúcida, existe uma camada de células formando a corona radiata. Este é outro ponto. Aqueles SPTZ que conseguem abrir espaço mais rapidamente entre estas células e se aproximar mais rapidamente da membrana da zona pelúcida têm mais chance. Nesta passagem o SPTZ passa por um processo chamado capacitação, em que ele passa a mover o flagelo mais rapidamente e se libera de alguns resíduos de proteína ainda provenientes do epidídimo.


Terceiro: neste ponto precisa existir a liberação do conteúdo de enzimas do acrossomo para a "perfuração"da zona pelúcida. Bom, alguns daqueles que chegaram já liberaram o acrossomo para perfurar a corona radiata. Estes não terão mais chance de perfurar a zona pelúcida e falharam. Assim sobrarão alguns com o acrossomo ainda intacto para conseguir perfurar a zona pelúcida. Aí entra mais um ponto.

Quarto: bom, aí entram os fatores que não podem ser mensurados e ainda são inintendíveis. Certamente tudo isso até então, tem sentido evolutivo, o SPTZ mais eficiente, com mais velocidade, mais capacidade de nadar e se aproximar do ovócito tem mais chance. Porém, ainda existe um fator que é o "acaso". Imaginem assim, um STPZ chegou antes de todos pois tinha mais capacidade de nadar, mas ao chegar liberou seu acrossomo com todo esforço e conseguiu perfurar a corona radiata, mas aí nao consegue mais avançar e já deixou o caminho aberto. Na sequência vem um mais fraco e, tendo o caminho já aberto, consegue se aproximar do ovócito e perfurar a zona pelúcida. E ele entra!

Ou ainda, esta situação. O ovócito é uma célula que apresenta irregularidades. Então imaginem uma situação em que um SPTZ mais ou menos forte, chega, rompe as células da corona radiata e logo atrás vem um mais forte, mas naquela região exata onde ele chega a corona radiata é um pouco mais espessa, assim ele não consegue chegar até a zona pelúcida e também falha. Ai logo atrás vem um mais fraquinho, mas que "escolhe" outra região do ovócito para tentar penetrar e lá a corona radiata é mais fina, assim consegue chegar à zona pelúcida e fundir seu citoplasma e fecundar.

Bom, como vocês podem ver, é uma questão que envolve inúmeras variáveis. Sendo que algumas a ciência não consegue e - na minha opinião - não vai conseguir explicar com suas certezas, com sua lógica e com suas metodologias, pois é algo que vai além, algo que não podemos explicar e muito menos entender, mas que acontece, é este acaso entre aspas que coloquei.

Deixei vocês angustiados pois é importante podemos arriscar, refletir e pensar em inúmeras possibilidades. A ciência busca a certeza a partir da incerteza, da tentativa, do risco e é disso que precisamos, nos arriscar. Errar não é negativo, não é ruim, nem menos importante. O erro é fundamental na nossa vida e aprendermos com ele mais ainda.

Algumas referências sobre isto:

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/890064-estudo-diz-como-espermatozoide-vai-atras-de-ovulo.shtml
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10131/tde-19102004-135444/publico/sandragabaldi.pdf
http://www.nature.com/aja/journal/v13/n3/full/aja20119a.html (inglês)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Bem vindos ou (re)bem vindos!

Olá pessoas,

Mais um semestre começando e quero dar boas vindas aos novos e aos velhos-novos. Para aqueles que não sabem, o blog é fundamental no desenvolvimento da unidade curricular. Todo material que usamos em aula será disponibilizado aqui e este também será um espaço de diálogo e troca de materiais, conhecimento, dúvidas, angústias, etc, etc.

Funcionamento:

O material será colocado no blog antes de ser usado nas aulas e ficará disponível nestes links, de acordo com a fase. As primeiras aulas e os planos de ensino já estão disponíveis, além do primeiro texto que será usada na segunda e terceira fases.


Vocês poderão ver se algum material novo foi adicionado onde diz "MATERIAL RECENTE":

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Férias....

Pessoas,

Eu sei que já faz tempo que as aulas acabaram, mas só agora consegui parar (eu estou em pseudo férias) para resgatar a escrita do blog! E o no próximo semestre vai ter novidades por aqui (espero)!!

Queria dizer que o semestre foi muito legal. Gostei bastante da participação de todos de forma geral! Muito bom trocar idéia, brincar, brigar, discutir, sofrer e curtir com vocês! Espero que também tenha sido bacana pra vocês e queria que pudessem continuar contribuindo e frequentando o blog, mesmo que eu nao continue dando aula pra alguns de vocês! Se tiverem materiais me enviem, se quiserem algo coisa que eu possa ajudar, escrevam, certo?

Bom, espero que continuem curtindo as férias e descansem bastante! Vou tentar fazer o mesmo!

Abraços ilógicos!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Maconha: Legalização? Descriminalização? Liberação?

Essa discussão foi proposta em uma aula e como sempre estamos correndo, eu falei que ia trazer ela para o Blog. Acho super importante discutir este tema, porém, temos que fazer isso de forma séria. Existem muitos temas que achamos importantes, gostamos de discutir, mas dificilmente vamos pesquisar e tentar buscar nos aprofundar para discutir de uma forma mais embasada!

De pouco adianta discutirmos um assunto como este sobre a descriminalização da maconha sem termos um pouco de conhecimento sobre o que envolve esta temática. Não sendo assim, caímos no risco de tomar uma posição que na realidade não é nossa e sermos manipulados por diversos interesses. Já temos aí um primeiro ponto a ser discutido: Liberação? Legalização? Descriminalização? Existe diferença entre estas três idéias? O que elas significam? Um texto sobre esta diferença que é fundamental para a discussão está disponível neste link.

Bom, partindo da idéia de que, para discutir vocês leram ou sabem a diferença entre estas três idéias, eu vou colocar alguns pontos para pensarmos juntos.


1º - Biologia

Para trazer a discussão para dentro da Biologia, acho importante mencionar um pouco as ações da maconha. Bom, como a maioria deve saber, a maconha provém de uma planta, a Cannabis sativa. A planta contém aproximadamente 400 substâncias químicas, entre as quais se destacam pelo menos 60 substâncias conhecidas como canabinóides. Alguns deles têm efeito psicoativo. O mais significativo e potente se chama Delta-9-THC. Ele é o responsável pelas ações psicoativas da maconha. Ações psicoativas são aquelas desencadeadas pelo THC que agem no sistema nervoso e trazem conseqüências psicológico-comportamentais e alterações fisiológicas e biológicas. A maioria destas alterações se relaciona com a liberação de neurotransmissores associados ao prazer que são liberados quando o organismo entra em contato com o THC. Porém, à medida que o uso vai se prolongando, o organismo do usuário tenta se ajustar a esse hábito. O cérebro adapta seu próprio metabolismo para absorver os efeitos da droga. Cria-se, assim, uma tolerância ao tóxico. Desse modo, uma dose que normalmente faria um estrago enorme torna-se em pouco tempo ineficaz. O usuário procura a mesma sensação das doses anteriores e não acha. Aí já surge um problema: o uso contínuo faz com que cada vez mais se aumente o uso e, quando o uso já não basta, existe um grande risco de se passar para outras drogas na tentativa de manter aquele prazer. Além disso, são várias as conseqüências do THC no organismo, abaixo seguem algumas de diferentes tipos:

Efeitos no controle psicomotor: desajustes no controle e coordenação motora, alterações da percepção sensorial e temporal, perturbações da comunicação oral, inibição do movimento.

Efeitos cognitivos: dificuldades de concentração, distúrbios na memória a longo prazo, danos em todos os estágios da memória incluindo codificação, consolidação e recuperação, dificuldades de atenção, diminuição da performance aritmética

Efeitos psicóticos: euforia, depressão, ansiedade, sensação de bem-estar, sonolência, isolamento, imobilização, desordens psicóticas, síndromes de delírio e ansiedade, sentimentos de pânico, despersonalização

Efeitos físicos: taquicardia, pressão alta, secura da boca, diminuição da secreção lacrimal, dores de cabeça, náuseas, vômitos

Efeitos pela fumaça: diminuição da capacidade de respiração durante o exercício físico, dificuldades respiratórias, produção de muco, tosse crônica, câncer.

Claro, existem muitos outros efeitos, sendo estes os principais. Bom, isso em relação à biologia.



2º Sociologia

A presença e uso da maconha e de outras drogas têm uma relação direta com a sociedade como um todo. Indo mais longe, todo nosso desenvolvimento enquanto seres sociais e culturais, de alguma forma se vincula ao uso de substâncias psicoativas variadas,com diferentes objetivos (ritualísticos, recreativos, medicinais, religiosos, etc...) É importante pesar isso também. Será que a sociedade, de acordo com as leis e regras que a constituem nesse momento, está preparada para uma ação como legalizar a maconha? Como o texto menciona a legalização é criar normas para o uso legal, porém não basta isso. Pensem em todo o aparato de saúde, comercialização, produção que deverá ser criado.

Aí coloco uma questão que particularmente me incomoda bastante: é todo um processo extremamente desgastante, caro, complexo para estruturar algo que é uma substância que traz conseqüências, em sua imensa maioria, negativas. Será que toda esta energia usada na luta e processo de legalização não poderia ser usado em algo mais produtivo como um todo para a sociedade? Talvez pensar em políticas públicas para melhorar as condições de saúde de toda a população? As condições de educação e cultura? Pensem por exemplo o cigarro e o álcool. São drogas, legalizadas e que hoje se faz todo um trabalho de tentar evitar o uso. Não é meio paradoxal? Legalizar para evitar o uso? Este é outro ponto.



3º Interesses

Bom, é claro que existem diversos interesses relacionados à legalização da maconha. O Estado, da forma como está hoje, já não tem controle nenhum sobre a comercialização e uso, então, a forma de tentar obter o controle, seria legalizando. Porém, como será que os grandes interesses que movem a comercialização e industrialização das drogas vêem esta discussão? Como ficariam aqueles que lucram com a venda ilegal? Como o grande mercado seria tornado legal? Outro ponto...

Além disso, existe o fato de que hoje o que se gasta com as tentativas de prevenção e tratamento em relação aos usuários de drogas é absurdo (e de forma geral não dá resultado nenhum!). Pessoal, é terrível saber disso, mas a maioria dos hospitais psiquiátricos (inclusive existe um aqui em Floripa, o HCTP – Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, um manicômio judiciário que fica junto ao presídio na Trindade) estão cheios, abarrotados de usuários de droga que, ou tentam se livrar do vício, ou já foram tão afetados que os danos são irreversíveis.



4º Livre-arbítrio

Muita gente justifica a legalização com a fala que se trata de livre-arbítrio. Devo concordar. cada um deve terliberdade para agir e lidar com as consequências de seus atos. Ou seja, cada um tem o direito de fazer o que considera melhor para a sua vida. Acho muito valoroso isso desde que se saiba o que faz.
Será que temos realmente maturidade e conhecimento suficiente para entender o que está em jogo? Como posso dizer que estão sendo livre e fazendo o que acho melhor se nem conheço bem o que estou fazendo? Temos que ter o cuidado para não nos tornarmos “fantoches”, sendo usados de forma violenta para fazer girar uma máquina muito maior do que nós. Esse ponto justifica também argumentos de pessoas que plantam sua própria maconha. Tudo bem, ela planta, não alimenta o tráfico, as mortes, a violência, etc. Mas será que tem consciência da auto-violência que está fazendo? Lembrem-se, qualquer substância é tóxica. Depende da quantidade. Algumas com uma baixíssima quantidade já são tóxicas, outras a partir de uma grande quantidade.
 


Está aberto o debate! =)

Referências do meu texto
 
- Liberação, Legalização ou Descriminalização: Você sabe a diferença?
- Abuso e dependência da maconha – Revista da Associação Médica Brasileira